Um ano após o incêndio de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, a reflorestação das áreas ardidas está a avançar devagar e vai ser um processo de anos, disse à agência Lusa Fernanda Rodrigues, da Associação Raiz Permanente.

“Tendo o incêndio sido em junho, fazer uma reflorestação logo na época seguinte, que seria outubro/novembro, seria uma precipitação, porque é necessário regenerar os solos, preparar o terreno e fazer proteções contra a erosão, que é essencial”, explicou a dirigente associativa.

Segundo Fernanda Rodrigues, só após a primavera deste ano é que começam a estar reunidas as condições certas para se começar a reflorestação em outubro/novembro.

“Não está nada fora de controlo, nem nos devemos precipitar, porque a reflorestação é para ser feita nos próximos 10/15/20 anos e temos de ser coerentes em relação a isso”, frisou.

Para a presidente da Associação Raiz Permanente, que nasceu após os incêndios de Pedrógão Grande para ajudar na reflorestação da bacia do rio Zêzere, “não era possível, nem fazia sentido, ver a floresta novamente toda a verde”.

“Estamos a fazer um planeamento sustentado e pensado junto dos nossos associados e conforme o terreno de cada um fazemos as nossas sugestões”, disse a dirigente, que aposta numa reflorestação de forma a criar uma “floresta alimentar”.

Fernanda Rodrigues diz que vai incentivar os proprietários florestais dos três concelhos mais atingidos, que são, neste momento, o principal foco, a plantar árvores fruteiras, desde o pinheiro manso, nogueiras e castanheiros até às oliveiras.

Desde os incêndios de junho de 2017 que, em Pedrógão Grande, já terão sido plantadas 10 mil árvores em diversas ações de voluntariado pelas contas do presidente da autarquia, Valdemar Alves.

“E temos outras 10 mil árvores em stock para plantar, que resultam de ações de solidariedade, mas estamos à espera que saia o projeto [de reflorestação] pedido pelo Governo para sabermos o que temos de plantar e onde”, disse o autarca.

A reflorestação “é uma preocupação que existe desde a primeira hora e quer-se arranjar aqui uma região piloto para o futuro da floresta em Portugal, com menos eucaliptos que, também, têm direito ao seu espaço”, sublinhou.

“Já estamos a fazer alguma coisa [na reflorestação], embora não seja à velocidade de que gostaríamos”, disse à agência Lusa o vereador da Câmara de Castanheira de Pera Nuno Tomás.

Em duas ações de voluntariado, envolvendo escuteiros e estudantes da Universidade de Coimbra, o município já reflorestou uma área municipal de cerca de oito hectares e, no âmbito das ações de estabilização de emergência dos solos, já foram plantados 40 hectares de sobreiro e medronheiro.

Segundo Nuno Tomás, as matas municipais de pinhal que foram afetadas pelas chamas é que “estão um pouco atrasadas, pois ainda se está a fazer autos de marca para efetuar o corte do material queimado e anda-se também a monitorizar as doenças das árvores que não ficaram danificadas”.

Em Figueiró dos Vinhos, o município avançou com a limpeza e reflorestação parcial da mata municipal, que perdeu dois hectares nos incêndios de há um ano.

Nessa área, segundo fonte do executivo, foram plantados mais de mil árvores, entre carvalhos, freixos e pinheiros bravos, por mais de 300 voluntários das escolas e instituições particulares de solidariedade social do concelho.

O incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017 no concelho de Pedrógão Grande e que alastrou a municípios vizinhos provocou 66 mortos e cerca de 250 feridos, destruiu meio milhar de casas e quase 50 empresas e devastou mais de 50 mil hectares de território, cerca de duas dezenas de milhares dos quais de floresta.

Fonte: Agência Lusa