O Grupo Lusiaves, que anunciou a construção de unidades de produção nos concelhos atingidos pelos fogos de junho de 2017, reiterou hoje o interesse pelo investimento, mas assinalou a “enorme burocracia e morosidade” dos processos.

“Não obstante a enorme burocracia e morosidade destes processos, o grupo esclarece que mantém o interesse em todos os projetos e que está ativamente a desenvolver as ações necessárias que dependem de si para a implementação dos mesmos com a maior brevidade”, afirma a Lusiaves numa resposta escrita enviada à agência Lusa.

Em agosto de 2017, após os incêndios que atingiram, sobretudo, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, norte do distrito de Leiria, a Lusiaves anunciou um investimento de 64 milhões de euros nestes concelhos e a criação de um total de 300 postos de trabalho em unidades de produção de ovos para incubação e aves.

Na mesma informação, a empresa faz saber que “foram identificados vários terrenos em cada um daqueles concelhos considerados pelo grupo como possuindo as características adequadas à instalação daquelas unidades”.

“Contudo, devido aos constrangimentos em matéria de ordenamento do território daqueles terrenos, encontram-se ainda a decorrer nas entidades públicas competentes os procedimentos necessários para que sejam ultrapassadas as referidas condicionantes, nomeadamente no que respeita aos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios”, refere.

No caso de Castanheira de Pera, “o novo executivo camarário que tomou posse em outubro de 2017 entendeu analisar melhor um dos terrenos que havia sido identificado pela própria autarquia alguns meses antes e propor a sua substituição por um outro”.

“Nos três casos, mantém-se a intenção, para cada um, de um investimento de 20 milhões de euros e de cem postos de trabalho”, assegura o grupo.

Segundo a Lusiaves, “para responder ao crescimento para os mercados de exportação, existe uma grande necessidade de aumentar a produção” que não pode comprometer, frisando ainda que, com “esta aposta, o grupo deixou de olhar para outras localizações e, também por este motivo”, está “totalmente” comprometido com estes projetos.

Em junho de 2017, os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, e que acabou também por morrer. Houve ainda mais de 250 feridos.

Posteriormente, em dezembro, o grupo anunciou a construção de unidades nos concelhos de Góis (distrito de Coimbra), Oleiros e Proença-a-Nova (ambos de Castelo Branco), que também foram afetados pelos incêndios de junho, que tiveram início em Pedrógão Grande.

De acordo com a Lusiaves, estes processos estão “mais avançados”.

“Com Oleiros e Proença-a-Nova as negociações para aquisição dos terrenos estão já na sua reta final”, assegura a empresa, assinalando que “o projeto de Góis encontra-se numa fase muito avançada, tendo sido já celebrado um memorando de entendimento e iniciado os estudos de impacte ambiental”.

O grupo espera, “em breve, obter as autorizações necessárias para avançar com as construções até ao final deste ano”, adianta a mesma informação.

A Lusiaves, fundada em 1986 na Marinha da Ondas, Figueira da Foz, distrito de Coimbra, exporta para mais de 20 países, integra mais 20 empresas, tendo 41 unidades distribuídas por 24 concelhos e emprega cerca de 3.300 pessoas diretamente e 2.000 indiretamente.

Fonte: Agência Lusa