A CP prevê supressões e atrasos na circulação de comboios entre hoje e quarta-feira, em todos os serviços, à exceção dos urbanos do Porto, devido à greve de 24 horas convocada por várias organizações sindicais que arranca às 12:00.

Apesar de o Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social ter decretado a realização de serviços mínimos, a CP prevê “sérios impactos na mobilidade dos cidadãos utilizadores dos serviços” devido à greve que começa às 12:00 de hoje e termina às 12:00 de quarta-feira.

O Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial Itinerante (SFRCI), um dos sete que subscreveram o pré-aviso de greve, lamentou as definições dos serviços mínimos da greve, antecipando que “vai haver bastante circulação […], mas não vai haver cobrança”.

A paralisação – a segunda este mês – está relacionada com “questão do agente único”, e, desta vez, abrange os trabalhadores com local de trabalho entre Coimbra e Vila Real de Santo António.

O mesmo modelo será utilizado para a greve de 23 e 24 de junho, entretanto anunciada, mas para os trabalhadores a Norte de Coimbra.

O presidente do SFRCI, Luís Bravo, estima que “grande parte” das viagens de comboios de longo curso ficava garantida com revisores sedeados no Porto, mas “em complemento foi ainda atribuído mais 25% de comboios abrangidos, o que dá quase 75% de comboios de longo curso”.

A previsão do sindicalista é de adesão total dos trabalhadores que não cumpram os serviços mínimos e que as “bilheteiras vão estar completamente fechadas”. “No fundo vai haver comboios, mas não vai haver cobrança”, resumiu à Lusa.

“Em termos de circulação vai haver bastante, uma vez que o tribunal arbitral decretou serviços máximos na sua decisão, que é incompreensível e que faz lembrar os tempos anteriores ao 25 de Abril [de 1974], em que não se podia fazer greve, porque como foram distribuídos os serviços mínimos, equivale praticamente a que os trabalhadores sejam impedidos de fazer greve”, argumentou.

A arbitragem obrigatória do Conselho Económico e Social decretou na sexta-feira que “serão realizados 25% do total dos comboios habitualmente programados para os períodos de greve, tomando em consideração que no dia 13 de junho, nas linhas e Sintra, Azambuja e Cascais a programação corresponde a dia feriado”.

Cabe à CP escolher os comboios, devendo dar prioridade “às situações com maior impacto na mobilidade das pessoas, designadamente os comboios que habitualmente transportam o maior número de passageiros”.

Para explicar os motivos da greve, Luís Bravo lembrou que os trabalhadores têm uma ata do Governo de dezembro a incluir dois agentes no regulamento: “O Governo não cumpriu o acordo e o senhor secretário de Estado se, aquilo que subscreve não vale nada, acho que devia considerar pôr o seu lugar à disposição”.

No passado dia 04, no âmbito de uma outra paralisação, o presidente da CP, Carlos Gomes Nogueira, garantiu que os comboios vão continuar a operar com dois agentes, tal como tem vindo a ser “regra” na empresa.

“Desde há 20 anos que a regulamentação permite a circulação de comboios em regime de agente único, sendo que, no caso da CP, nunca se prescindiu de dois agentes na tripulação. A tripulação composta por dois agentes é regra na CP […], é o nosso compromisso, que foi, formalmente, apresentado junto da tutela e do Instituto da Mobilidade e dos Transportes [IMT]”, disse Carlos Gomes Nogueira.

Já na segunda-feira o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, lamentou “os impactos” de uma “greve repetida” na CP, mas apontou que o Governo não vai ceder às reivindicações dos trabalhadores.

“A greve é um direito completamente legítimo dos trabalhadores, contudo o que está aqui em causa é a alteração de um regulamento que o Governo não alterou e não está a pensar alterar”, disse Pedro Marques.

De fora desta ação de protesto está o Sindicato dos Maquinistas, que na segunda-feira disse, em comunicado, que “não se encontra em conflito laboral em qualquer empresa do setor ferroviário, designadamente na CP, onde decorrem negociações da contratação coletiva com calendário previsto até outubro 2018”.

Fonte: Agência Lusa