Centros de saúde e hospitais da região Centro estão a registar “grandes perturbações” devido à greve dos trabalhadores do setor, afirmou hoje um dirigente sindical, sublinhando que a adesão nesta zona do país é superior a 90%.

“Em todos os locais, sentem-se grandes perturbações, quer nos centros de saúde, quer nos hospitais” da região Centro, disse à agência Lusa o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas (STFP) do Centro, José Dias.

Segundo o dirigente sindical, durante o turno da noite, apenas foram cumpridos os serviços mínimos nas principais unidades hospitalares da região Centro, seja em Coimbra, Figueira da Foz, Leiria, Aveiro, Viseu ou Guarda.

Depois de uma adesão “praticamente total” durante a noite, nos turnos da manhã sentem-se perturbações muito elevadas nos diferentes hospitais, nomeadamente nas “cirurgias programadas, urgências e internamentos”.

Já nas consultas externas, regista-se também uma grande adesão, com várias consultas a não funcionarem, acrescentou.

“A adesão é transversal e enorme porque os trabalhadores estão cansados. A falta de pessoal é imensa”, sublinhou José Dias.

Segundo o coordenador do STFP do Centro, para além do excesso de trabalho, há também várias reivindicações, relacionadas com a carreira, condições salariais e regularização dos trabalhadores precários.

Maria Alfreda Dias, de Seia, estava a caminho do Centro Hospital e Universitário de Coimbra (CHUC), quando soube, pela rádio, que hoje havia greve dos trabalhadores no setor público da saúde.

Acompanhava o marido numa consulta, que acabou por se realizar. “Como é doente oncológico, tem prioridade”, explicou. No entanto, refere, o caso é “excecional”.

“As coisas não estão a funcionar” e a maioria das pessoas não estar a ser atendida, notou, apesar de sublinhar que o ambiente está calmo.

Já Pedro Reis, da Batalha, apenas soube da greve quando confrontado pela agência Lusa. Levou o filho a uma consulta de oftalmologia no CHUC e ficou à espera que a greve não afetasse a marcação.

Outra utente, que não quis ser identificada, saía em passo apressado do hospital, tendo apenas referido que estava “tudo normal, tudo a funcionar”.

Os trabalhadores reivindicam a aplicação do horário de trabalho de 35 horas semanais, progressão de carreira, dignificação das carreiras da área da saúde, reforço de recursos humanos, pagamento de horas de trabalho extraordinário, e a aplicação do subsistema de saúde ADSE (para funcionários públicos) a todos os trabalhadores.

No pré-aviso de greve estão abrangidos os trabalhadores, exceto médicos e enfermeiros, que trabalham nos serviços tutelados pelo Ministério da Saúde, como os hospitais, que “sentem forte indignação pela degradação crescente das suas condições de trabalho”.

Fonte: Agência Lusa