A Câmara de Lousã lamentou hoje a forma como a requalificação do Itinerário Principal 3 (IP3) foi anunciada, “via comunicação social”, e defendeu que a obra não corresponde às expectativas da região.

No dia 19, os deputados do PSD eleitos pelo círculo de Viseu anunciaram que a autoestrada Viseu – Coimbra está “descartada” e que a duplicação do traçado do IP3 “não será feita na totalidade”.

Quatro dias depois, os promotores do Movimento pela Requalificação Completa e Adequada do IP3 congratularam-se por esta via entre Viseu e Coimbra ser requalificada e, numa primeira fase, ficar com perfil de autoestrada em 85% do trajeto, sem portagens.

Hoje, num comunicado enviado à agência Lusa, a Câmara da Lousã disse estranhar a forma como a decisão foi comunicada e salientou a necessidade da implementação de um novo traçado, mais a sul.

“No âmbito de notícias vindas a público esta semana sobre a decisão do Governo de requalificar o IP3, em detrimento da solução de um novo traçado mais a sul defendida por diversos organismos públicos e privados, o presidente da Câmara Municipal da Lousã, Luís Antunes, manifestou ‘estranheza’ pela forma como foi comunicada esta decisão, nomeadamente pelo facto de as entidades que foram chamadas à discussão das várias soluções, entre os quais diversas autarquias, não terem sido informadas formalmente desta decisão”, lê-se em nota de imprensa.

Luís Antunes, acrescenta o comunicado, “reforça a sua convicção relativamente à valia da solução que tem defendido, de uma nova via, num traçado mais a sul que se possa assumir como estruturante para a melhoria mais substantiva e alargada da mobilidade regional, da coesão territorial e do desenvolvimento integrado da região, permitindo a sua ligação ao IC6 e à A13 – potenciando o seu uso e uma ligação mais rápida a sul – e também uma alternativa à EN17, uma via que já não corresponde – a vários níveis – às necessidades dos utilizadores”.

Para a autarquia, a decisão de optar apenas pela requalificação do IP3, conhecida através dos órgãos de comunicação, “não corresponde à expectativa e necessidades da região, não conferindo condições adequadas de competitividade a vários concelhos que, apesar dos constrangimentos ao nível das acessibilidades, apresentam uma atividade económica relevante”.

Luís Antunes diz também, citado na nota, que reconhece a necessidade de requalificação do IP3, mas que essa intervenção não serve a região: “Por isso, vamos continuar a demonstrar a pertinência e justiça da nossa reivindicação”.

Na terça-feira, O deputado do PS Pedro Coimbra manifestou satisfação com as anunciadas obras de requalificação do IP3.

“Ainda há poucas semanas me manifestei publicamente, na Assembleia da República e na comunicação social, pela evidente urgência em requalificar esta importante via, quer por questões de segurança, quer por questões de mobilidade de pessoas e mercadorias, pelo que esta decisão merece todo o meu apoio e aplauso”, referia então Pedro Coimbra, eleito pelo círculo de Coimbra, citado numa nota de imprensa.

O CDS-PP lamentou, por outro lado, na segunda-feira, que o PS e o PSD concordem que a solução para o IP3, entre Viseu e Coimbra, passe por “remendar a estrada que já existe”.

Também na terça-feira, eleitos da Assembleia Municipal de Coimbra manifestaram-se a favor da requalificação do IP3 entre esta cidade e Viseu, dando à via perfil de autoestrada em grande parte do trajeto, anunciada pelo ministro Pedro Marques.

Já o presidente dos Autarcas Social-Democratas (ASD), Álvaro Amaro, disse na quinta-feira que o IP3 é uma “causa nacional” que a todos deve mobilizar e afirmou que esse “grande problema rodoviário” do país deve ter uma solução.

Fonte: Agência Lusa