A legalização da Canábis para fins medicinais regressa hoje à discussão no Parlamento.

O Bloco de Esquerda e o Pan são os grandes defensores da medida levando a plenário projetos-lei para legalizar o consumo e cultivo de canábis para uso medicinal, argumentando a existência de provas em experiências internacionais que demonstram vantagens para doentes e médicos, já o PS irá dar liberdade de voto aos seus deputados, enquanto PSD e CDS assumem o voto contra.

PCP não irá assumir, para já, a sua posição, pedindo que se estude a questão num projeto de resolução.

A Ordem dos Médicos reconhece que existe forte evidência da eficácia da Canábis nalguns usos terapêuticos nomeadamente, no alívio da dor crónica em adultos, como anti-vómito no tratamento do cancro, na esclerose múltipla e no controlo da ansiedade, mas avisa que a sua prescrição deve ser exclusivamente médica, enquanto medicamento e não na forma fumada.

A iniciativa mereceu o apoio de diversas entidades, como o caso do ex-Presidente da República Jorge Sampaio e do oncologista Jorge Espírito Santo, um dos cem subscritores da carta aberta, assinada por cem individualidades, na sua maioria profissionais de saúde, divulgada na terça-feira, em defesa da legalização para fins medicinais.

Mas afinal o que é a Canábis?

A canábis  é uma planta oriunda da América do Sul e da Ásia, cultivada um pouco  por todo o mundo, dos EUA à Europa. A sua popularidade deve-se à presença de um químico psicoativo nos seus elementos, o delta-9-tetra-hidrocanabiol (THC).  O THC varia de acordo com a planta e as condições de cultivo sendo que o cânhamo usado na produção industrial praticamente não possui o princípio psicoativo.

O seu consumo provoca olhos vermelhos, boca seca e um aumento do apetite, levando a uma intensificação do modo como a pessoa se sente, aumentando a desinibição, gerando alegria, verborreia e euforia ou, então, passividade e sonolência. Como efeitos secundários podem surgir alucinações (quando consumidas variedades potentes e em quantidades elevadas), alterações de humor exageradas e o desencadear de problemas mentais, em indivíduos com predisposição. Ao contrário de outras drogas, como a heroína, não provoca dependência física, podendo surgir dependência psicológica, geradora de grande ansiedade, insónias e a sensação do consumidor achar que se pode desinibir, ou concentrar, com a droga.
Embora considerada uma droga ilegal, existem vários movimentos que advogam a liberalização do consumo de derivados de Cannabis sativum , com base em argumentos de que esta droga não provoca dependência, tem menos consequências negativas que o álcool e o tabaco, não gerando problemas sociais. Na medicina têm-se desenvolvido, com sucesso, terapias que recorrem à Canábis (geralmente sob a forma de erva) para o alívio dos enjoos causados pela quimioterapia, redução da pressão intraocular nos doentes com glaucoma e para estimular o apetite em doentes com SIDA.
A engenharia genética tem tentado produzir variedades da canábis sem o THC , dado que esta apresenta inúmeras possibilidades económicas para países desfavorecidos, dada a sua elevada facilidade de cultivo e a diversidade de aplicações industriais dos seus produtos.

Fonte: AGÊNCIA LUSA