A Federação dos Sindicados do Setor da Pesca defendeu hoje, em Peniche, um limite anual de capturas de sardinha para 2018 “pelo menos igual” ao estabelecido para 2017, de 17 mil toneladas, mas que o ideal seria 23 mil toneladas.

“Tendo em conta os sacrifícios que os pescadores têm feito nos últimos três anos, que o recurso melhorou e que os planos de gestão têm dado resultados e que a abundância de sardinha é muito maior do que nos últimos anos, as possibilidades de pesca para 2018 devem ser pelo menos iguais às de 2017”, que foram de 17 mil toneladas, afirmou à agência Lusa Frederico Pereira, da comissão executiva da Federação dos Sindicatos do Setor da Pesca.

O responsável, que falava no final de uma reunião entre vários sindicatos, adiantou que é possível aumentar a quota até às 23 mil toneladas, tendo em conta que, entre os vários cenários, o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) apontou como limite máximo de capturas as 24.650 toneladas para 2018.

Os sindicatos da pesca sustentaram a sua posição, recorrendo às próprias estimativas do ICES, segundo as quais houve uma evolução da biomassa de 111 mil toneladas em 2015 para 146 mil toneladas estimadas em 2017, assim como de juvenis, que passaram de três milhões em 2015 para 12 milhões em 2017, ao contrário dos valores de mortandade, que este ano foram “os mais baixos de sempre”.

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, admitiu, na sexta-feira que os limites de captura de sardinha para Portugal e Espanha possam ultrapassar as 14 mil toneladas.

“São números mais interessantes do que a solução de pesca zero, que é um disparate, mas ficam aquém do que julgamos serem as possibilidades de pesca”, disse Frederico Pereira, em reação às declarações da governante.

A Federação dos Sindicatos avançou à Lusa que, perante a recusa do setor, caiu a hipótese de se avançar com a proibição de áreas definidas de pesca, onde existe recrutamento do recurso, nas regiões Norte e Centro, para se poder vir a adotar, em alternativa, “restrições em tempo real sempre que aí forem detetados juvenis”.

“Não sendo uma medida adequada para a gestão do ‘stock’, [a proibição de áreas fixas] teria consequências gravosas para as comunidades piscatórias da pequena pesca, que ficaria proibida de pescar ou, em outros casos, teria de se afastar dos seus portos”, justificou.

Os sindicatos discordaram também da proposta que aponta para a pesca em águas mais profundas, afastando mais as embarcações da costa, pelo mesmo motivo.

Entre as medidas com que concordam, salientaram a manutenção dos dias de folga, as compensações para os trabalhadores quando não forem ao mar, o aumento do calibre mínimo da sardinha e programas de investigação, com métodos mais adequados aos que têm sido utilizados.

O setor deverá voltar a reunir-se com a ministra na próxima semana, antes de Portugal fechar com Espanha, com quem divide a quota de pesca da sardinha, as medidas que vão apresentar à Comissão Europeia e que querem adotar em conjunto em 2018.