A Fundação Portuguesa de Cardiologia, em parceria com a Senilife e os hipermercados Jumbo, lançou no passado mês de março o Projeto Salva-vidas, uma campanha pública de âmbito nacional de sensibilização para a morte súbita. Esta iniciativa chegou hoje à Figueira da Foz, numa sessão realizada no Jumbo local, onde já estarão disponíveis as Pulseiras Salva-vidas.

A participação na campanha é simples: basta a aquisição das Pulseiras Salva-vidas nas Parafarmácias dos hipermercados Jumbo (Espaços Saúde e Bem-Estar), pelo valor simbólico de 2€. Por cada grupo de 1.500 vendidas, as entidades promotoras do projeto oferecem um kit salva-vidas, composto por um desfibrilhador com reanimação de alta qualidade e respetiva formação em Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa e primeiros-socorros, a uma entidade identificada desde o início das vendas das referidas pulseiras.

A entidade a receber este Kit, após a venda das 1.500 pulseiras, será a Escola Secundária com 3º C.E.B. de Cristina Torres, Sede do Agrupamento de Escolas Figueira Norte.

Refira-se que, atualmente, a morte súbita mata cerca de 10 mil pessoas em Portugal todos os anos e, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 20 mil pessoas por dia em todo o Mundo. Em Portugal, o número de desfibrilhadores, um dos instrumentos mais eficazes de combate a esta problemática de saúde pública, é de cerca de um para cada 10 mil habitantes.

Para Manuel Carrageta, Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, “esta iniciativa pretende realmente salvar vidas. O objetivo é dotar escolas e instituições dos conhecimentos e meios necessários, porque nos casos de paragem cardiorrespiratória cada minuto conta para a possibilidade de sobrevivência da pessoa”.

Após este evento, a vítima perde 10% de hipóteses de sobrevivência a cada minuto que passa. E tendo em conta que o cérebro apenas sobrevive 3-5 minutos sem oxigénio, ao final de cinco minutos sem assistência a vítima tem apenas 50% de probabilidade em sobreviver.

Esta iniciativa visa despertar consciências e sublinhar a importância das técnicas de Suporte Básico de Vida (SBV), uma vez que uma reanimação cardiorrespiratória de alta qualidade aumenta em 2.72 vezes a probabilidade de sobrevivência do doente sem sequelas.

O kit Salva-vidas é composto por formação Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação (SBV-DAE) creditada para seis formandos/seis horas; desfibrilhador automático externo; licenciamento do PNDAE (programa de desfibrilhação junto do INEM); formação de primeiros socorros (12 formandos/oito horas) e mala de primeiros-socorros advance. Pretende-se assim formar equipas e disponibilizar a escolas/instituições os equipamentos e conhecimentos necessários para responder a uma paragem cardiorrespiratória.

A morte súbita é uma das causas mais frequentes de morte evitável no Mundo industrializado. A Organização Mundial de Saúde aprovou uma declaração conjunta com entidades internacionais em que se recomenda o ensino destas técnicas de SBV em crianças em idade escolar, a partir dos 12 anos. As crianças em idade escolar têm uma postura menos inibida do que os adultos na formação em ressuscitação e tanto os profissionais médicos como os professores reconhecem o seu sucesso após a formação dada. Ao ter esta formação nas escolas, existe um “efeito multiplicador” que pode aumentar a taxa de sobrevivência. Quanto mais cedo se inicia esta formação, mais sustentável ela será.