A concessionária dos Estaleiros do Mondego, na Figueira da Foz, prevê chegar a um volume de faturação de 30 milhões de euros a curto prazo, afirmou o administrador da empresa.

“Estamos convencidos de que vamos conseguir estabilizar num volume de faturação de cerca de 30 milhões de euros”, disse Joaquim Peres, administrador da Atlanticeagle Shipbuilding, concessionária dos Estaleiros do Mondego, sublinhando que neste momento o volume é um terço do objetivo.

Joaquim Peres falava à agência Lusa à margem da cerimónia de lançamento à água do ‘ferryboat’ “Haksolok”, navio com capacidade para transportar 377 pessoas e 25 automóveis, que vai ligar Díli, a ilha de Ataúro e o enclave de Oé-Cusse Ambeno, em Timor-Leste.

O contrato, no valor de 13,3 milhões de euros, foi assinado entre a Autoridade da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno e a Atlanticeagle Shipbuilding em setembro de 2014, e os trabalhos arrancaram em 2015.

“Há 15 anos que não se fazia neste estaleiro um navio destas dimensões”, realçou o administrador da concessionária que reativou os Estaleiros do Mondego em 2012.

Para Joaquim Peres, a conclusão do ‘ferryboat’ é “um cartão-de-visita fantástico, um excelente investimento e uma excelente aposta” feita pela concessionária.

“Tivemos vários potenciais clientes e estamos, neste momento, em fase de fazer alguns contratos novos, exatamente porque viram a qualidade com que construímos esta embarcação”, sublinhou.

Segundo o administrador da Atlanticeagle Shipbuilding, há perspetiva de mais parcerias com Timor-Leste, sendo que estão a participar num concurso “para um segundo ‘ferry’ para Timor”.

“Há perspetivas de crescimento, sem dúvida”, afirmou, sublinhando que a concessionária vai apostar também “na fibra de carbono” e noutro tipo de construções.

“Estamos a trabalhar em conjunto com empresas de engenharia inglesas e norueguesas e, inclusivamente, com a SGL, o grande fabricante europeu de fibra de carbono, para se desenvolver um novo material para um novo tipo de embarcações que vai ser uma surpresa não só na construção naval nacional como mundial”, disse Joaquim Peres, revelando que o projeto prevê a criação de um navio que seja possível ter “resistência balística”.