Meio século após o assalto ao Banco de Portugal, um grupo de pensadores reúne-se em Lisboa para homenagear os que lutaram pela liberdade, entre os quais Camilo Mortágua, que participou nesta ação.

A iniciativa é da Associação Portuguesa Livre Pensamento (APLP) e do historiador Luís Vaz que, no ano passado, lançou a obra “Palma Inácio e o Assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz, 1967”, terceira de um conjunto de obras sobre este revolucionário, falecido a 14 de julho de 2009.

O jantar-debate irá realizar-se na quarta-feira, precisamente 50 anos após o assalto, na Caixa Económica Operária, em Lisboa, e nele participará Camilo Mortágua, um dos protagonistas do evento.

Para Luís Vaz, “à medida que o tempo passa, a sociedade cada vez mais esquece o que foi a resistência contra a ditadura. E isto não quer dizer que as novas gerações abracem saudosismos do passado, só que entendem que a liberdade é um valor indiscutível e definitivamente adquirido”.

Na verdade, acrescentou, é necessário “fazer permanentemente o alerta de que o perigo está sempre à espreita”.

Para o autor do livro, este teve o mérito de acabar com as dúvidas sobre o dinheiro que foi confiscado no decorrer do assalto.

“Finalmente foram apresentadas as contas da operação. Sabe-se que com atividades operacionais foram gastos os 4.474.390 escudos, único dinheiro circulável porque o restante não tinha curso legal nem poder liberatório”, explicou.

Para Luís Vaz, “é assim de inteira justiça que Palma Inácio e seus companheiros, direta e indiretamente envolvidos no confisco, saiam isentos de suspeitas porque a operação atuou numa configuração politicamente digna do maior apreço pelos que têm memória, amam a democracia e a liberdade”.