Foto Pedro Cruz

O eurodeputado do Partido da Terra (MPT) José Inácio Faria vai questionar a Comissão Europeia sobre a situação de erosão costeira na Figueira da Foz, que classifica de desastre ambiental, e as soluções para a resolver.

Em declarações à agência Lusa, no final de uma visita ao litoral daquele concelho do distrito de Coimbra, centro de Portugal, José Inácio Faria diz que na Figueira da Foz, a norte do molhe norte do rio Mondego, naquele que é considerado o maior areal urbano da Europa, “a areia é tanta que até assusta, e do lado sul não existe, desapareceu”.

“Há aqui um desequilíbrio da Natureza, um desequilíbrio que foi provocado pelo homem [devido ao prolongamento do molhe norte do rio]. Há que resolver esta situação e aqui, passa pelo homem ajudar a Natureza a recompor a situação, há soluções para isto, é preciso é haver vontade política”, afirmou.

“Esta situação é muito grave, porque não afeta só a Figueira da Foz, mas também toda a costa a sul. Não podemos permitir que a ação do homem seja desmesurada de tal forma que venha a provocar estes desastres ambientais. Isto que a Figueira da Foz tem é um desastre ambiental”, argumentou José Inácio Faria.

Nesse sentido, o eurodeputado do MPT anunciou que vai questionar a Comissão Europeia sobre a situação na Figueira da Foz “e as soluções que estão a ser apontadas”.

“Queremos saber se a Comissão está a par do que se passa aqui, porque isto é quase um crime ambiental. Há soluções previstas, há estudos que estão em cima da mesa, queremos saber o que a Comissão tem a dizer”, frisou o também presidente do MPT.

O deputado do Parlamento Europeu anunciou também, ainda sem data prevista, a realização na Figueira da Foz de um encontro que reúna especialistas e peritos nacionais e internacionais para debaterem temas relacionados com a erosão costeira.

José Inácio Faria foi acompanhado na visita por elementos do Movimento SOS Cabedelo, que advoga a construção de um ‘bypass’ – sistema mecânico que permite a transposição de areias, através de uma tubagem por debaixo do leito do rio – e exige a realização de um estudo técnico e económico com vista à sua implementação.

“O que exigimos é ação”, disse Miguel Figueira, do SOS Cabedelo, notando que a situação da Figueira da Foz “não aguenta mais mortes”, numa alusão aos acidentes marítimos que se sucederam na barra do rio, assoreada pelas areias que ali se depositam, nem as “vulnerabilidades” que afetam os aglomerados populacionais a sul e mesmo o hospital distrital, que fica junto à linha de costa, na margem esquerda do Mondego.

“Nem nos contentamos com uma praia [com centenas de metros entre a avenida e o mar] que atenta contra a identidade da cidade. Queremos recuperar esta relação com o mar, seja na cidade, seja na costa sul ameaçada pela erosão ou na navegação marítima. São vários problemas e todos desaguam no mesmo obstáculo que, no fundo, é um impasse que aqui está”, alegou Miguel Figueira.

Lembrou ainda que a estratégia do Governo para a proteção da costa é baseada na reposição do ciclo sedimentar, com a qual o SOS Cabedelo concorda.

“Isso é um dado assente. O próprio ministro [do Ambiente] advoga isso aos quatro ventos. O que perguntamos é como se cumpre essa estratégia com o impasse que existe em Aveiro e na Figueira da Foz [por ação dos molhes que retêm os sedimentos]. Se não resolverem o impasse com um ‘bypass’, como é que propõem fazer?”, questionou Miguel Figueira.