A cidade da Figueira da Foz quer assumir-se como uma referência nos desportos de areia e apresentou hoje um projeto nesse sentido, que inclui as vertentes competitivas e de lazer.

O projeto, intitulado “Figueira Beach Sports City”, tem a duração de três anos, até 2019, e inclui a promoção da prática de modalidades como o râguebi, vólei ou futebol de praia, entre outros, no areal da Figueira da Foz, eventos competitivos na praia de Buarcos e a criação de uma escola municipal de desportos de praia.

“É um projeto de desenvolvimento de desportos de praia assente naquilo que a Figueira da Foz tem de diferenciador, que é precisamente o areal. Que pode ser visto como uma menos valia [por ser o maior areal urbano da Europa e ter vindo a afastar, em centenas de metros, a cidade do mar], mas enquanto ele cá estiver temos obrigação de o tratar como uma mais-valia”, disse à agência Lusa Rui Loureiro, promotor do Figueira Beach Sports City.

A opção “mais simples”, argumentou Rui Loureiro, seria a autarquia desembolsar 200 ou 300 mil euros e ter na cidade eventos como o Mundialito de Futebol de Praia, “que já esteve na Figueira e noutros lados, mas não é isso que se pretende”, adiantou.

“O que queremos é desenvolver projetos e ações que tenham um conceito muito difícil de replicar, assentes na tal diferenciação da Figueira que é o areal. A nossa missão é desenvolver uma cultura sólida de desportos de praia na Figueira da Foz, que seja absorvida primeiro pela comunidade, para depois transpirar para fora e colocar a cidade como um destino preferencial de desportos de praia”, explicou.

Na prática, o projeto passa pela criação, já este ano, de uma zona desportiva de “lazer e prática informal de desportos de praia”, na praia da Claridade, na zona entre a torre do relógio e a piscina de mar, que permite a prática de vólei, futebol, râguebi e mesmo basquetebol de praia, “sem poder bater a bola, à semelhança do andebol de praia”, e também um parque de ‘slackline’, uma fita elástica esticada entre dois pontos, que permite aos praticantes andar e fazer acrobacias por cima.

Ainda este ano está prevista a primeira edição dos Jogos de Praia de Verão, “uma programação de eventos desportivos de verão que ainda não está fechada”, e uma escola de verão de desportos de praia, que mais tarde dará lugar a uma escola municipal, dinamizada por clubes locais.

Em 2019, Rui Loureiro espera que o “Figueira Beach Sports City” esteja suficientemente desenvolvido para que a cidade possa acolher a sede de uma futura rede europeia de desportos de praia, a criar com as localidades de Bornemouth (Inglaterra), Bibione (Itália), Barcelona (Espanha), Den Haag (Holanda) e Marselha (França).

O projeto, adiantou Rui Loureiro, pretende ainda ser um “catalisador entre entidades da área do turismo, hotelaria e serviços”, promovendo a Figueira da Foz através dos desportos de praia.

Na sessão de hoje, o presidente da autarquia, João Ataíde, disse que na Figueira da Foz há hoje uma “separação clara do que é o espaço de praia e antepraia [junto à avenida marginal e mais longe do mar]”, defendendo a valorização da antepraia “para o usufruto do público”.

Por outro lado, o turismo “tem cada vez mais uma perspetiva interativa de ocupação do tempo” e a autarquia achou que podia “tirar vantagem do imenso areal” para ali promover atividades de lazer e competitivas de desportos de areia, afirmou João Ataíde.

“Mas a Figueira da Foz tem de contar, em primeiro nível, com os seus residentes, com os seus cidadãos, os jovens da Figueira são os primeiros destinatários do que se está a promover”, sustentou o autarca.