A editora Bruaá centra parte da sua atividade no “trabalho de arqueologia” de descoberta de livros infantis antigos, registando já 50% da sua faturação no mercado externo, vendendo para países como China, Coreia do Sul ou Estados Unidos.

A editora sediada na Figueira da Foz nasceu em 2008 e dedica-se à aposta em novos autores, mas também à redescoberta de livros publicados há várias décadas e que se encontravam fora de circulação, num “trabalho de arqueologia” em sítios da internet e alfarrabistas à procura de livros que merecem ser resgatados, explicou à agência Lusa o editor Miguel Gouveia.

Ao longo de oito anos de atividade, a Bruaá recuperou obras como “E tu, vês o que eu vejo?”, de Ed Emberley, editado no final dos anos 1970, dois livros de Sandol Stoddard e Ivan Chermayeff com mais de 50 anos de existência, reeditou um livro do português Tóssan e lança agora “E se as maçãs tivessem dentes?”, do designer gráfico Milton Glaser.

“Não há forma de sobreviver só com o mercado nacional”, nota Miguel Gouveia, considerando que as vendas dos direitos no estrangeiro são imprescindíveis para a pequena editora da Figueira da Foz, que regista 50% da sua faturação no mercado externo.

A editora com apenas duas pessoas existe “graças à venda de direitos para países estrangeiros”, tendo já vendido para Espanha, França, Itália, Coreia do Sul, Estados Unidos, China, México, Suécia, Brasil e Chile, entre outros.

O crescimento tem sido “regular e constante”, notando que a China está a tornar-se num mercado “borbulhante”, afirmando-se, a par da Coreia do Sul, como o maior comprador de direitos.

No entanto, nestes dois países asiáticos, apesar de uma “enorme sede por novos títulos”, os valores pagos “não são muito altos”, encarando os Estados Unidos, para onde já venderam três livros, como o mercado mais apetecível, “em que o preço de capa é alto e vendem-se muitos livros”, refere Miguel Gouveia.

“Encontrar um texto ou ilustrador que fez um trabalho há 50 anos é um prazer redobrado. São horas e horas à procura”, descobrindo-se textos ou ilustrações “muito interessantes e muito atuais”, sublinha.

De acordo com o editor, “num tempo de hiper edição e hiper publicação, há imensos autores e obras que ficaram esquecidas e que são frescas no design e conteúdo”.

O maior prazer “é ser-se arqueólogo e descobrir um pote antigo”, notou, considerando que é necessário haver “um chão por onde começar”, num país como Portugal, em que “a história da ilustração” passou um pouco ao seu lado, aclara.

Apesar disso, a editora também aposta em autores e ilustradores contemporâneos portugueses e estrangeiros, como é o caso de Davide Cali, que vive em Itália, cujo livro “A Rainha das Rãs não pode molhar os pés” foi a obra com que a editora mais direitos vendeu.

Para este ano, a editora da Figueira da Foz vai editar Milton Glaser, uma obra com textos do poeta escocês Alastair Reed e ilustrações de Catarina Sobral e, “em princípio, mais dois autores portugueses, contadores de histórias orais, que criaram dois textos originais”, informou Miguel Gouveia.