hospital figueira foz

Um projeto pioneiro, desenvolvido na Figueira da Foz pelo Hospital Distrital (HDFF) e unidades de saúde familiares e cuidados continuados, está a permitir diminuir o subdiagnóstico da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e diagnosticar outras maleitas respiratórias.

Intitulado “Figueira Respira” e em curso há dois anos, o projeto “possibilitou uma articulação mais forte entre níveis de cuidados [hospitalares e unidades de saúde familiar] nomeadamente no que toca à realização de espirometria, exame fundamental para o diagnóstico da DPOC”, uma doença grave do foro respiratório, até então só possível de realizar em Coimbra, referem, em comunicado, os promotores.

Em declarações à agência Lusa, Lígia Fernandes, médica pneumologista do HDFF, afirmou que para a deteção da DPOC “é necessária a realização de um exame” e que o projeto “Figueira Respira” passou a permitir que seja feito no Serviço Nacional de Saúde “sem que o doente tenha de fazer quase 100 km para o realizar”, com ganhos de conforto e de agilização do processo.

Assim, os médicos dos centros de saúda da região já podem enviar os seus doentes “diretamente” para o HDFF, onde o exame é realizado “a muito curto prazo e acompanhado de relatório clínico completo”, indicou.

“Permite o diagnóstico da DPOC e não só, também de outras doenças respiratórias, numa fase muito mais precoce, em que ainda é pouco sintomática e também que se possa intervir nos fatores de risco, nomeadamente através da cessação tabágica. [A DPOC] é uma doença de que ainda se conhece muito pouco e que a maioria das pessoas nem sequer ouviu falar”, adiantou Lígia Fernandes.

A médica recusou que o subdiagnóstico da doença se fique a dever ao “medo” dos doentes em relação ao exame: “Indiscutivelmente, é mais por desconhecimento ou pela deslocação que até aqui tinham de fazer. É um exame nada invasivo ou doloroso, é um estudo da função respiratória para o qual é necessário a colaboração do doente, o doente tem de soprar conforme indicações que lhe vão sendo dadas, explicou”.

Depois de um primeiro ano de implementação do projeto, o segundo ano do “Figueira Respira” levou, em 10 meses, de janeiro a outubro, à realização no HDFF de mais de 380 espirometrias, “15% das quais [57 casos] revelaram evidência de doença respiratória, nem todas DPOC”, revelou Lígia Fernandes.