Sede Grupo Lusiaves

O fundador e presidente da Lusiaves, Avelino Gaspar, anunciou que o grupo vai investir 200 milhões de euros nos próximos anos e pretende expandir-se para “novas geografias”, a começar por Espanha.

Com este investimento, Avelino Gaspar pretende aumentar a capacidade de produção, desenvolver novos produtos e apostar na internacionalização.

“Vamos continuar a investir naquilo que sabemos fazer e vamos continuar a fazer mais do mesmo, com mais qualidade, inovação, novos produtos, e alargando mercados e geografias”, disse Avelino Gaspar em entrevista à Agência Lusa, no dia em que o grupo comemora o seu 30.º aniversário, em Leiria.

Três décadas depois do seu nascimento em Marinha das Ondas, na Figueira da Foz, a Lusiaves transformou-se num grupo de 20 empresas, com 2500 trabalhadores diretos e mais 2000 indiretos, com uma produção anual de mais de 100 milhões de ovos, mais de 100 milhões de pintos e mais de 100 milhões de frangos.

Depois de ter anunciado um investimento de 100 milhões de euros a três anos, Avelino Gaspar mostra-se agora mais ambicioso: “as coisas são dinâmicas e as oportunidades vão surgindo. Se conseguirmos concretizar os licenciamentos e garantir os locais que estão a ser negociados, esse investimento vai ser de 200 milhões a cinco anos”.

Sendo um negócio integrado, a aposta é no crescimento do grupo “como um todo”, mas passa também pela internacionalização.

“Em primeiro lugar para Espanha, onde já temos uma presença comercial significativa. As nossas principais exportações são para Espanha e fará sentido a curto, médio prazo, termos lá uma presença física”, adiantou o presidente da Lusiaves, sem avançar datas: “depende de analisar muito bem as oportunidades que surjam, têm de ser bem estudadas. Dar um passo para uma nova geografia não é o mesmo que fazer mais uma fábrica em Portugal”.

Em 2015, a Lusiaves faturou 390 milhões de euros e vai voltar a crescer este ano.

“Mantemos o ritmo de crescimento semelhante ao do ano passado e esperamos superar a faturação de 400 milhões de euros consolidados”, o que corresponde a um aumento de cerca de 10% face ao ano anterior.

Nos próximos anos, o objetivo é vender mais nos mercados externos, já que a exportação representa atualmente apenas 10% da faturação.

“O nosso crescimento terá obrigatoriamente de passar pelos mercados de exportação (….), não é fácil continuar a crescer ao ritmo a que temos crescido em Portugal, os consumidores não aumentam”, admite o responsável da Lusiaves.

Mesmo o acréscimo no número de turistas é insuficiente para absorver o aumento da produção projetado para os próximos anos.

Avelino Gaspar quer reforçar as exportações de produtos frescos para Espanha, França, Luxemburgo ou Alemanha, e vender os congelados para “países mais longínquos”, nomeadamente a China.

“O nosso objetivo é conseguir aumentar 50% a nossa faturação nos próximos cinco anos para atingir os 600 milhões de euros em 2022”, salientou.

Além dos mercados europeus, a Lusiaves já exporta para Macau e Hong Kong, Brasil e Perú e países africanos.

Os mercados do continente americano, não são, no entanto, prioritários para o grupo, já que se tratam de mercados “muito competitivos, que produzem as matérias-primas”.

O presidente da Lusiaves prefere “competir com países que tenham o mesmo modo de produção e de exigências” de Portugal e da União Europeia, com países com falta de produção, como os africanos, ou como aqueles em que há “um grande consumo” como os asiáticos ou os do Golfo Pérsico.

Avelino Gaspar sublinhou que os países do Médio Oriente são “um mercado interessantíssimo” e a Lusiaves “está habilitada para exportar para esses locais”, designadamente com as certificações ‘halal’ (relativa aos alimentos preparados segundo as regras da religião islâmica).