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A oposição camarária na Figueira da Foz responsabilizou na segunda-feira o presidente da Câmara por eventuais acidentes que aconteçam nas obras inacabadas do areal da praia e criticou a falta de segurança e desleixo na intervenção.

No local, na noite de segunda-feira, Miguel Almeida, vereador da coligação Somos Figueira (PSD/CDS-PP/MPT/PPM), constatou que a iluminação da nova ciclovia e percurso pedonal que atravessa o areal estava ligada e que os cabos elétricos – visíveis à superfície e sem qualquer resguardo – estavam em carga, horas depois de o presidente da Câmara, João Ataíde (PS), na reunião da autarquia, lhe ter garantido que estavam desligados da corrente.

“Qualquer coisa que aconteça aqui, o senhor presidente da Câmara é responsável. E vai ter de dar uma explicação porque é que hoje mentiu na reunião [privada] de Câmara. Porque ou mentiu ou desconhecia [que a corrente elétrica estaria ligada] e qualquer das duas situações é grave”, afirmou Miguel Almeida.

A agência Lusa tentou ouvir João Ataíde, mas os contactos revelaram-se infrutíferos. Já o chefe de gabinete do presidente da Câmara, Tiago Castelo Branco, explicou que os cabos estão desligados de dia e foram ligados à noite “para testes” ao sistema de iluminação e que serão enterrados após os testes estarem concluídos, para ser possível detetar eventuais anomalias.

A mesma fonte, que não explicou porque é que os testes não foram referidos na reunião da autarquia, afastou eventuais problemas de segurança por causa dos cabos estarem à vista, alegando que uma garantia nesse sentido foi dada à Câmara Municipal pelo empreiteiro e empresa responsável pelas montagens elétricas.

O vereador da oposição argumentou ainda que a “questão de fundo” das críticas à situação da obra de requalificação da praia (cuja primeira fase de licenciamento terminou na quinta-feira, tendo João Ataíde anunciado o propósito da autarquia em terminar a limpeza e retirada de materiais no dia seguinte, sexta-feira) tem a ver com a quantidade de cabos elétricos “espalhados à vista” e outros materiais (madeira e ferros) depositados em vários pontos da praia.

Os cabos elétricos são visíveis numa faixa central, em areia, ao longo dos cerca de três quilómetros da nova ciclovia e percurso pedonal – infraestrutura que, apesar de inacabada, ao início da noite de segunda-feira era percorrida por dezenas de pessoas, a pé ou de bicicleta, constatou a Lusa no local.

“Estamos a três dias de começar o ‘Sunset’ [festival de musica eletrónica no areal da praia], vamos ter mais de 100 mil pessoas aqui, jovens por todo o lado, as crianças brincam nesta zona. Será natural que os miúdos possam chegar aqui, comecem a mexer nos fios e ficar agarrados a isto?”, questionou o vereador.

“Das duas, uma: ou o senhor presidente da Câmara, hoje [segunda-feira], na reunião, não sabia que isto estava ligado e depois de ter sido chamado à atenção, a única coisa que fez foi indignar-se com quem chama a atenção, fica sempre muito irritado e chateado e nem sequer apurou de saber, ou sabia que isto estava ligado o que, para além de ser grave, é de uma irresponsabilidade atroz”, reafirmou Miguel Almeida.

O vereador disse ainda que na reunião também chamou a atenção para as madeiras espalhadas pela praia e ferros “onde qualquer criança de seis, sete anos se pode magoar seriamente”, mas recusou que a oposição camarária esteja contra a obra.

“Custa-me fazer esta intervenção, como me custou fazê-la na reunião de Câmara, porque fica sempre a ideia de que nós estamos contra e ninguém aqui está contra a obra. É evidente que vão sempre aparecer os que dizem que lá estamos nós a dizer mal, mas seriam os mesmos que nos criticariam se não denunciássemos esta situação se houvesse aqui uma fatalidade”, justificou Miguel Almeida.