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Proprietários de restaurantes e bares da Figueira da Foz dizem que a faturação chega a triplicar no fim de semana do festival de música eletrónica Somnii, com maior ênfase nas bebidas consumidas do que nas refeições.

O festival, cuja quinta edição, quarta na praia do Relógio, decorre de sexta-feira a domingo, pela primeira vez durante três dias, espera a presença de 100 mil pessoas e os estabelecimentos de restauração e bebidas têm autorização para estar abertos durante quatro dias consecutivos.

Em declarações à agência Lusa, Isabel João Brites, presidente da associação Figueira com Sabor a Mar, que congrega 55 associados, a maioria restaurantes, disse que não existem estudos que permitam saber, com detalhe, o impacto económico do Somnii, mas revela que os festivaleiros consomem mais bebidas do que refeições nos restaurantes.

“O público-alvo deste evento não vai para os restaurantes sentar-se e comer. Vai aos supermercados comprar comida e bebidas de litro e também bebem noite fora nos bares”, argumentou.

Proprietária de um restaurante e bar com cerca de 70 lugares sentados na zona do chamado Bairro Novo, perto do Casino, local para onde afluem os festivaleiros após os espetáculos na praia, Isabel João diz que durante o festival Somnii o estabelecimento “vai trabalhar mais para fora” de portas, para as pessoas que se concentram na esplanada e nos passeios em redor e terá de duplicar o pessoal de serviço para fazer face ao aumento de clientes.

“Vamos ter um evento para dar continuidade à festa da praia, para bem receber os nossos clientes habituais e os que nos quiserem visitar nesses dias, com um dj de renome a passar música”, frisou.

Questionada se a faturação da casa aumenta exponencialmente durante o festival, negou que assim seja, quando comparada com agosto, mês forte de afluência turística à Figueira da Foz.

“Será equivalente a um fim de semana de agosto. O espaço [exterior] é o que há, não estica, o casario [em redor] limita, mas também protege e aconchega”, precisou.

Isabel João defende a continuidade do Somnii na Figueira da Foz [o evento tem contrato com a autarquia até 2017], alegando que a cidade “é falada e publicitada” no exterior e que o festival “é um aliciante”.

“Mas o impacto económico real é eventual. É como o fogo-de-artifício, pode ser muito bonito, custar mais ou menos, mas depois ardeu e não há mais nada. A Figueira da Foz devia dotar-se de infraestruturas para receber mais eventos desta natureza, em vez de um, ter dois ou três palcos na praia, isso trazia ainda mais gente. Parece-me possível, mas eu não sou organizadora de eventos”, frisou Isabel João Brites.

Mais acima, na zona do chamado Picadeiro, mas também na parte pedonal da Bernardo Lopes, onde se situa o Casino, alguns proprietários de bares e restaurantes estimam que a faturação triplique nos três dias do festival em relação ao mês de agosto, embora os custos com o reforço de pessoal e bens consumíveis também aumentem.

“São os melhores dias do ano. Não há nada assim, isso é certo”, disse o proprietário de um dos restaurantes, que não quis ser identificado nem divulgou a faturação esperada, alegando apenas que triplica, como triplica o número de funcionários de que necessita para os três dias.

Noutro restaurante, na rua Bernardo Lopes, o dono corrobora que a faturação “aumenta três vezes”, da mesma maneira que, por dia, chegam a ser necessárias três garrafas de óleo de cozinha, quando num dia normal de agosto uma chega.

Já um empresário que detém bares naquela zona alegou, também sob anonimato, que o que fatura durante o festival Somnii dá para pagar a renda de dois estabelecimentos ao longo do ano (cerca de 11 mil euros) e os ordenados dos funcionários durante oito meses.

A quinta edição do Somnii irá reunir cerca de duas dezenas de dj, incluindo nomes como Hardwell, DJ Snake, Oliver Heldens e Khsmr, entre outros, no recinto montado na praia do Relógio, junto ao molhe norte.