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O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse ontem que o Governo devia inspirar-se no exemplo de uma empresa da Figueira da Foz para lidar com riscos externos, desafiando o primeiro-ministro a praticar uma política prudente.

Em declarações aos jornalistas, à margem da visita à MicroPlásticos, que tem fornecedores da indústria automóvel como principais clientes e está a preparar a internacionalização para o mercado europeu, Passos Coelho fez uma comparação entre a situação da empresa e o que se passa no país.

“Gostava que este caso da empresa que se quer internacionalizar e quer ter boas contas e boa estrutura financeira para não ser afetada negativamente pela incerteza externa, servisse também um bocadinho de inspiração ao próprio Governo português, que devia procurar ter uma politica prudente que nos protegesse tanto quanto possível dos riscos externos em vez de nos expor cada vez mais”, disse Passos Coelho.

O líder do PSD lembrou que Portugal não é imune à “incerteza externa”, considerando também que os riscos externos que pendem sobre a economia nacional – parceiros comerciais como a Angola ou Brasil, “sensíveis ao preço do petróleo” ou o resultado do referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia – “há um ano atrás não eram imprevisíveis”.

“E o Governo, em vez de ter apresentado internamente uma gestão económica e orçamental prudente, para nos protegermos desses riscos, para que isso funcionasse como um escudo contra desenvolvimentos menos bons da frente externa, fez o contrário. E tem hoje mais dificuldade, está mais exposto as consequências desses riscos do que poderia estar”, enfatizou Passos Coelho.

O presidente do PSD considerou a MicroPlásticos uma empresa “bem-sucedida, que mostra que é possível crescer fazendo bom investimento tecnológico sem dispensar a criação de emprego”.

“Os seus resultados estão mais ligados ao resultado global do setor automóvel do que propriamente aquilo que é a economia nacional. Mas está a preparar a sua internacionalização no mercado europeu, tem de lidar com a incerteza do mercado global, que outras empresas portuguesas também enfrentam e para o fazer tem de estar sólida e bem gerida”, advogou.

A Micro Plásticos foi fundada há 29 anos na Figueira da Foz, município onde possui duas unidades industriais, a original na localidade de Cova da Serpe e outra com pouco mais de um ano, na zona industrial da Gala, a sul do Mondego, que se encontra em processo de expansão.

De acordo com dados fornecidos à agência Lusa por José Couto, administrador da MicroPlásticos, a produção da empresa destina-se, maioritariamente (cerca de 70%) ao setor automóvel mas também ao setor elétrico.

A firma, que emprega 220 colaboradores, trabalha também maioritariamente para o mercado externo (65% da produção) e espera em 2016 uma faturação de cerca de 34 milhões de euros.

“Tivemos uma pequena quebra de 1% em 2008 mas temos vindo sempre a crescer e queremos continuar a crescer”, disse o administrador.