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Um sociólogo de Lisboa e uma ilustradora da Figueira da Foz criaram um “jornal-almanaque” mensal, intitulado Postas de Pescada, que sai na próxima semana e que procura dar liberdade às pessoas “para dizerem o que lhes apetecer”.

Em Postas de Pescada, um poeta pode escrever uma notícia e um artista plástico uma crónica sobre futebol. Sem restrições temáticas, aberto a colaborações diversas e que poderá falar dos mais diversos assuntos, o projeto quer causar “surpresas permanentes no leitor e polvorosa”, explica a nota de apresentação que estará presente na primeira edição.

Com sede na Figueira da Foz, conta com a ilustradora Ana Biscaia e o sociólogo Emanuel Cameira como editores: “Não é um jornal normal”, aclara Emanuel, referindo que será possível encontrar anedotas, receitas, poemas inéditos de um autor emergente ou consagrado, crónicas “sobre o 25 de Abril ou de um concerto”.

A publicação conta com oito páginas na sua primeira edição (de 300 exemplares) e pretende ser “uma miscelânea, do ponto de vista gráfico, assim como de escrita”, querendo circular “por quiosques normais para apanhar um público quase acidental”, referiu o sociólogo.

No fundo, o projeto “cruza a cultura de massas com a cultura dita séria”, numa “multiplicidade de registos”.

No primeiro número, haverá uma ilustração sobre os refugiados da italiana Arianna Vairo, acompanhada de uma frase de Susan Sontag sobre a guerra, um artigo sobre o livro “Os Acrobatas” de Tiago Manuel, um texto de Nunes da Rocha, poemas da poetisa brasileira Judith Grossmann e de Rita Taborda Duarte.

Há também um texto de Vitor Silva Tavares, entre outras colaborações, podendo-se também encontrar na primeira edição um artigo sobre o último álbum do Zeca Afonso ou de um jogo entre a Naval e o Ginásio da Figueira da Foz, ou uma fotografia em torno de uma fila de comida no Saldanha, informou Ana Biscaia.

A publicação, com o subtítulo “jornal sempre fresco”, tem como nome Postas de Pescada porque, no entender de Emanuel Cameira, o projeto procura não ter “grandes travões”, dando liberdade às pessoas “para dizerem o que lhes apetecer, com uma orientação mínima da equipa editorial”.

O projeto “é um exercício de liberdade”, sublinha Ana Biscaia, referindo que o jornal quer apresentar diferentes perspetivas em torno da atualidade, numa publicação que “não é partidária”, mas que apresenta “pequenos apontamentos subtis, outros não,” em torno da realidade.

“Não há uma linha editorial”, mas o jornal quer “pôr o dedo na ferida”, realça a ilustradora.

A publicação custa um euro e a partir da próxima semana será distribuído em quiosques, livrarias e outros espaços, em diferentes cidades portuguesas, nomeadamente Lisboa, Coimbra, Porto e Figueira da Foz, podendo estender-se a outros locais do território nacional.

Está previsto o jornal ter dez edições.