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O Bloco de Esquerda (BE) questionou hoje o Governo sobre o que diz serem danos ambientais graves a que está sujeita a população da praia da Leirosa, Figueira da Foz, vizinha de uma indústria de pasta de papel.

Na pergunta dirigida ao ministério do Ambiente, a que a agência Lusa teve acesso, os deputados José Manuel Pureza e Jorge Costa afirmam que a população da praia da Leirosa “vive há longos anos numa situação de brutal perda de qualidade de vida que se concretiza num número altamente preocupante de pessoas com doenças respiratórias crónicas – bronquite crónica e bronquite asmática – ou de gravidade elevada (cancro de pulmão)”, que associam à proximidade da unidade industrial.

Os deputados frisam que a ocorrência daquelas doenças é ligada “compreensivelmente” pela população à degradação da qualidade do ar “as mais das vezes com um cheiro intensíssimo a compostos químicos” e na inquinação da água, quer à superfície, quer oriunda de furos particulares, “com uma cor acastanhada e com um odor intenso a amoníaco”, e ainda na “frequente deposição de uma fuligem negra” nas casas e nas culturas daquela localidade.

“A situação é, na verdade, absolutamente insustentável para aquela população”, consideram os deputados do BE.

Assinalam que a grande maioria dos habitantes da localidade – situada no extremo sul do concelho da Figueira da Foz – nomeadamente os mais velhos, comparam a situação presente com a que existia antes da implantação, há 50 anos, da unidade industrial nas proximidades da Leirosa e “não hesita em atribuí-la aos efeitos provocados pela laboração” da Celbi, unidade industrial de produção de pasta de papel de fibra curta a partir de eucalipto, desde 2006 pertença do grupo Altri e com uma capacidade de produção que ultrapassa as 700 mil toneladas anuais.

Na pergunta ao Governo, e de acordo com informação disponibilizada pela própria empresa, nos últimos anos foram concretizados dois projetos de modernização e de aumento da capacidade daquela unidade fabril: em 2010, foi concluída a remodelação da linha de produção de pasta de papel e construída, nas instalações da Celbi, uma central termoelétrica a biomassa para recuperação de químicos e produção de energia e em junho, foi concluído outro projeto destinado a aumentar a capacidade produtiva da fábrica.

“Não obstante a unidade industrial invocar dispor de equipamento de filtragem e depuração adequados, a população continua a sofrer no seu quotidiano, e de forma cada vez mais agravada, os efeitos poluentes da produção e da queima de biomassa”, observam José Manuel Pureza e Jorge Costa.

Notam, por outro lado, que apesar das “sucessivas reclamações” apresentadas pelos moradores junto de responsáveis técnicos da fábrica, desde pelo menos 2010, “o certo é que nada foi feito que tenha corrigido as causas da continuidade das afeções e doenças respiratórias dos residentes na povoação, do cheiro pestilento e da natureza irrespirável do ar e da inquinação das fontes de abastecimento de água”.

Deste modo, os deputados do Bloco de Esquerda questionam o Governo sobre se tem conhecimento da situação descrita e que medidas de fiscalização e outras medidas de garantia da saúde pública tenciona o executivo pôr em prática “para pôr termo à situação vivida pela população da Leirosa”.