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A intervenção orçada em cerca de 40 milhões de euros em três blocos de rega do vale do Mondego estará concluída em setembro, estando a margem direita já em funcionamento pleno, disse hoje a ministra da Agricultura.

Em declarações à agência Lusa à margem da inauguração do bloco de rega de Maiorca, Figueira da Foz, distrito de Coimbra, Assunção Cristas lembrou que a obra do regadio do vale do Mondego “estava parada desde 2005” e que o Governo decidiu relançar os trabalhos e apostar em três grandes obras – Bolão, Maiorca e margem esquerda – as duas primeiras já concluídas e a margem esquerda pronta em setembro.

“A preocupação foi precisamente ir ao encontro da vontade dos agricultores. Levo como recordação e como boa memória o facto de ter vindo inaugurar esta obra e de ver já todos os campos agricultados com uma adesão de 100 por cento ao regadio”, disse Assunção Cristas.

“Isto é sinal de que aqui há gente a querer fazer agricultura e a fazer agricultura nas melhores condições possíveis e, portanto, é bom investimento público”, adiantou.

Com a conclusão dos três blocos de rega, ficam concluídos quase 6.800 hectares de regadio no vale principal do Mondego.

A próxima aposta passa pela intervenção nos chamados vales secundários [rios Arunca e Pranto, afluentes do Mondego], “já sinalizados como prioritários” e com candidaturas abertas no âmbito do Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020.

Assunção Cristas frisou que “tem havido um trabalho muito intenso” entre os organismos do ministério da Agricultura, as associações de regantes e os agricultores no vale do Mondego, considerando “muito bom” estar na decisão de lançar as obras e fazer as candidaturas aos fundos europeus “e poder ver as obras concluídas e já a regar a 100 por cento”.

“Mostra bem a vitalidade da agricultura no Baixo Mondego e o potencial que tem. Havendo melhores condições de emparcelamento e de regularização das terras, com certeza que melhores resultados serão visíveis”, frisou.

Assunção Cristas frisou ainda que a adesão ao regadio na margem direita “é muito positivo e um estímulo para dar continuidade” à intervenção nos vales secundários do Arunca e Pranto, reclamada há vários anos pelos agricultores daquela região.

Na curta intervenção que fez antes da cerimónia de inauguração do bloco de Maiorca, Assunção Cristas disse que não iria estar presente em setembro na conclusão da obra da margem esquerda (presumivelmente durante a campanha eleitoral) “para não ser acusada de eleitoralismo”.

Questionada sobre se a conclusão da obra do regadio no vale do Mondego é imparável, independentemente de quem vença as eleições legislativas, a ministra da Agricultura disse que “todos os instrumentos [nesse sentido] estão à disposição dos agricultores, há uma administração pública mobilizada, as candidaturas estão abertas, façam-se as candidaturas e as coisas acontecerão”, frisou.

A intervenção hoje inaugurada do bloco de rega de Maiorca orçou em cerca de 4,7 milhões de euros e incluiu cerca de 20 km de condutas, 15 km de valas de drenagem, 27 km de caminhos agrícolas, quase 200 caixas de rega, 1.200 novos marcos de propriedade e uma recuperação paisagística com mais de 4 mil árvores e arbustos, entre outras intervenções.

Beneficia 195 proprietários e o número de prédios rústicos passou dos 789 antes da intervenção de emparcelamento para 231, passando a área média dos prédios dos 0,65 hectares para 2,2 hectares.