onda figueira da foz

Uma resolução da Assembleia da República (AR), publicada hoje em Diário da República (DR), recomenda ao Governo a promoção da onda de Buarcos, Figueira da Foz, considerada a onda direita mais comprida da Europa.

O texto publicado em DR lembra que a onda direita de Buarcos (que se desenvolve para a direita, do ponto de vista de quem a surfa) foi considerada no Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) como a “mais comprida do continente europeu” e a AR recomenda ao Governo “a promoção da Figueira da Foz enquanto destino turístico com excelentes condições para a prática do surf”.

Ouvido pela agência Lusa, Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, considerou que a resolução, aprovada por unanimidade no Parlamento em junho, “está de acordo com uma estratégia de promoção do turismo de desportos náuticos” por parte daquela entidade.

“A região Centro tem a onda mais tubular em Peniche, a maior na Nazaré e a mais comprida na Figueira da Foz. E esta resolução é relevante para um reforço da nossa diferenciação como produto turístico”, disse Pedro Machado.

Já João Portugal, deputado do PS que foi um dos autores do projeto de resolução aprovado pela Assembleia da República, mantém que o Governo e o Turismo de Portugal “têm de promover a onda da Figueira da Foz” e que o marketing em redor dessa promoção “tem de ser nacional e internacional”.

Questionado sobre o porquê de a própria autarquia local – da qual é vereador, precisamente com o pelouro do Turismo, não ter até ao momento, ela própria, promovido a onda de Buarcos”, João Portugal defendeu que essa promoção “terá de ser um trabalho concertado e não isolado”.

No entanto, frisou que a autarquia está a “equacionar” a colocação de placas indicativas na cidade que apontem para a localização da onda – que em condições ideais se desenvolve ao longo de centenas de metros entre o cabo Mondego e a vila de Buarcos – e outras iniciativas que não revelou.

“Mas o que não pode acontecer é o que sucedeu na FITUR (Feira Internacional de Turismo de Madrid) em 2014, em que o tema era precisamente o surf e a Figueira da Foz foi esquecida. Não faz sentido o Turismo de Portugal estar a promover todas as ondas do país e esquecer a da Figueira da Foz”, frisou.

Já Eurico Gonçalves, do movimento de cidadãos SOS Cabedelo – Cidade Surf, quem em 2013 propôs, no período de discussão pública do Plano Estratégico Nacional do Turismo, a inclusão da onda de Buarcos naquele plano estratégico, depois ratificada pelo Conselho de Ministros, considerou a resolução da AR “uma vitória dos surfistas” porque as ondas, “antes do PENT, não estavam inscritas em lado nenhum”.

“Mas agora não podemos estar à espera que o Governo faça tudo. A Câmara Municipal também tem de envolver os seus recursos e os surfistas locais estão dispostos a colaborar e a integrar projetos para a promoção de um bem que é de todos”, alegou.