açude formoselha

A Universidade de Évora abriu o concurso público para obras em açudes do rio Mondego, entre Montemor-o-Velho e Penacova, destinadas a facilitar a subida de lampreias e diversos peixes, disse hoje o investigador responsável pelo projeto.

Pedro Raposo de Almeida revelou à agência Lusa que o concurso, com um preço base de 336 mil euros, foi publicado no Diário da República, na quinta-feira, visando a empreitada a “construção de passagens naturalizadas”.

A intervenção, com um prazo contratual de 153 dias, abrange os açudes de Formoselha, Palheiros, Louredo, Ronqueira, Reconquinho e Penacova, no troço principal do Mondego, nos concelhos de Montemor-o-Velho, Coimbra, Vila Nova de Poiares e Penacova.

Estas obras públicas integram o projeto “Reabilitação dos habitats de peixes diádromos (que migram entre o mar e o rio) na bacia hidrográfica do Mondego”, financiado pelo Ministério da Agricultura e do Mar e pelo Fundo Europeu das Pescas, que envolve autarquias e outras entidades e contempla alterações nos açudes do rio, entre Formoselha (Montemor) e Penacova.

Mais de 30 mil lampreias subiram o rio Mondego, em 2013 e 2014, através da nova escada de peixes de Coimbra, que permitiu ainda a passagem de pelo menos dois milhões de peixes diversos nesse período, segundo dados oficiais.

Em 2013, uma equipa da Universidade de Évora liderada por Pedro Raposo de Almeida, responsável pela monitorização daquele equipamento, registou a passagem de 8.333 lampreias, número que aumentou para cerca de 22 mil exemplares em 2014.

O projeto para reabilitação dos habitats do Mondego, cujo concurso foi anunciado no DR na quinta-feira, visa melhorar estes resultados, permitindo “a transposição dos obstáculos durante as migrações piscícolas” e reduzindo o impacto dos açudes na passagem da lampreia e vários peixes com reconhecido valor económico e cultural, que caracterizam a gastronomia da região há vários séculos.

“As soluções adotadas passam pela construção de passagens designadas de naturalizadas ou rústicas, as quais serão integradas ou adaptadas nos açudes existentes”, disse Pedro Raposo de Almeida.

A instalação de um dispositivo de transposição “especificamente dedicado à enguia europeia”, num dos obstáculos identificados na bacia do Mondego, é outro dos objetivos.

“A desobstrução de um troço do rio para a enguia europeia será acompanhada por estudos que permitem não só monitorizar a utilização do dispositivo pela espécie alvo, assim como a posterior determinação da sua eficiência e relevância para o aumento da abundância desta espécie, a montante e a jusante do obstáculo identificado”, explicou.

Segundo Pedro Raposo de Almeida, o projeto prevê ainda, entre outras iniciativas, o repovoamento experimental do rio Ceira com larvas de enguia (meixão) e “posterior avaliação do sucesso desta ação” na população de enguias deste afluente do Mondego.