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O deputado europeu do PCP Miguel Viegas disse hoje temer que a construção naval na Figueira da Foz possa estar em risco, aludindo à dificuldade que os Estaleiros Navais do Mondego estão a ter no acesso a financiamento bancário.

“Poderá eventualmente estar em risco se não concretizar a sua carteira de encomendas e morrer na praia caso o Governo não tome medidas”, disse Miguel Viegas aos jornalistas, após um encontro com a administração e trabalhadores dos estaleiros.

O deputado defendeu apoios específicos ao setor, consubstanciados em linhas de crédito, alegando que as empresas de construção naval não conseguem financiar-se ou obter garantias bancárias junto da banca.

“Estamos a falar de encomendas reais, concursos ganhos, encomendas feitas, contratos assinados, mas depois falta o necessário e essencial. [Os Estaleiros Navais do Mondego] precisam desesperadamente de crédito”, argumentou Miguel Viegas.

Acusando o Governo de ter uma “estratégia zero” para a indústria naval e a aposta na economia do mar “um chavão” sem políticas direcionadas à construção de embarcações, Miguel Viegas defendeu a intervenção das agências de apoio ao investimento externo e o apoio da Caixa Geral de Depósitos no processo.

“Numa lógica de mercado é muito difícil superar esta questão. Ou o Estado se atravessa ou muito dificilmente o setor da construção naval poderá voltar a surgir”, frisou, apontando o exemplo da Holanda ou Espanha, países que “têm um papel decisivo na dinamização da sua atividade naval e conferem segurança ao negócio”.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Costa, administrador da Atlanticeagle Shipbuilding, concessionária dos estaleiros do Mondego, afirmou que a empresa tem apostado no mercado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nos territórios de Timor-Leste, Angola ou Guiné-Bissau, onde “há muita coisa para fazer” ao nível das embarcações de pesca, defesa ou transporte de carga e passageiros.

“Mas não é fácil, hoje em dia, obter garantias bancárias em Portugal, a não ser que a empresa tenha capital. Para uma garantia de um milhão, pedem-nos um milhão em depósitos mais 10 por cento”, revelou.

A alternativa, segundo Carlos Costa, é recorrer à banca internacional, onde a Atlanticeagle Shipbuilding, “por ser uma empresa recente”, tem experimentado dificuldades.

A solução, defendeu, passa pela atividade naval no país “passar a ser encarada de maneira diferente” pelos poderes públicos e, no âmbito da CPLP, virem a ser criadas linhas de crédito, que resultem em “mais facilidades” para os estaleiros acederem a concursos e adjudicações e às garantias bancárias.