praia figueira da foz

O presidente da Câmara da Figueira da Foz disse ontem que o relatório de soluções para a orla costeira não põe em causa a praia local, preocupação manifestada recentemente pela autarquia.

No final de uma reunião com responsáveis do Grupo de Trabalho do Litoral (GTL), criado pelo Governo para apontar soluções para a erosão costeira, João Ataíde disse à agência Lusa que “ficou claro” que não existe intenção do GTL em retirar “toda aquela areia” da praia da Figueira da Foz, o maior areal urbano da Europa, com 650 metros no ponto mais largo.

O autarca assumiu ainda que as soluções preconizadas para a erosão costeira nas praias a sul do rio Mondego não põem em causa a manutenção do porto comercial, outra das preocupações da Câmara Municipal.

“Há que compatibilizar as políticas de ação com a sustentação do porto”, adiantou.

Considerando “inquestionável” a existência de um problema de erosão costeira “que urge resolver”, João Ataíde disse que a reunião de ontem com o GTL serviu para “perceber melhor a dimensão do problema [da erosão] numa perspetiva alargada” e a compatibilização dos interesses municipais – a autarquia tem um projeto de ocupação do areal, que passa por reclamar para o município parte daquele território – com a resolução das questões relacionadas com as praias a sul do rio.

Sobre o projeto da autarquia, João Ataíde frisou que o GTL se considerou “alheio” a ele e que este, a efetivar-se, “terá de ser definido pelo Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC)”, que se encontra suspenso.

Ouvido pela Lusa sobre o eventual desaparecimento da praia da Figueira da Foz na sequência das conclusões do grupo de trabalho, Filipe Duarte Santos, presidente do GTL, argumentou que o relatório “não é um plano de ordenamento do território”.

Referiu, no entanto, que no caso da Figueira da Foz – onde o molhe norte do porto comercial retém sedimentos da deriva litoral necessários nas praias a sul – o relatório recomenda a transposição desses sedimentos.

“Mas que tipo de transposição [sistema de ‘bypass’, dragagem ou outro] e que volume a ser transposto é algo que só pode ser conseguido se for feita uma análise de custo/benefício”, alegou.

Filipe Duarte Santos considerou que “não se pode inferir” do relatório que a praia da Figueira da Foz vá desaparecer: “isso ficou muito claro, foi uma reunião muito construtiva e interessante”, sustentou.

Já Miguel Almeida, vereador do movimento Somos Figueira, oposição no executivo, lembrou que o documento do GTL “é um relatório e não um estudo”.

“Não é um plano de ordenamento, nem da orla costeira nem outro qualquer e não é um estudo. Não podemos olhar para o documento como se fosse um estudo, senão enviesamos a discussão”, alegou.

Para o vereador, o Governo terá agora de decidir “o que mandar estudar” na sequência das recomendações do relatório.

“A seguir, as várias engenharias vão ter de estudar os vários caminhos que aqui são apresentados. O relatório abre outros caminhos até agora um pouco fechados, tem em conta a evidência das aliterações climáticas”, afirmou.

Miguel Almeida frisou, no entanto, que o documento do GTL se prestou a “algumas más interpretações”, concretamente ao referir a necessidade de repor 16 milhões de metros cúbicos de areia, ao longo de seis anos, nas praias a sul da Figueira da Foz, preocupação manifestada pelo executivo autárquico.

“É importante que se clarifiquem algumas dúvidas que existem. Estão a referir-se à praia e a outras fontes, não é só da praia que [a areia] tem de sair”, afirmou.

O autarca criticou ainda a alegada recusa da Câmara Municipal em aceitar um sistema de ‘bypass’: “Fico admirado que se diga já ‘bypass não’, sem estudos ou porque é muito caro. Mas como é que sabem?”, questionou.

Defendeu, por outro lado, que o município tem de discutir que praia pretende ter na Figueira da Foz.

“Se uma com 600, 300 ou 100 metros, para saberem até onde podem ir e que areia podem tirar. Mas tudo isso são discussões para ter a seguir, vai ser preciso estudar isso em pormenor”, defendeu.